Jardim de Deméter

Mitos gregos que brotam da terra

Sobre o jardim

Por que cultivamos mitos

O Jardim de Deméter é um site sobre mitologia grega organizado como um jardim botânico: cada história plantada ao lado da flor, do fruto ou da árvore que a guarda.

Um mito, uma planta

Quem lê os mitos gregos com atenção percebe que eles estão cheios de plantas, e que muitas vezes elas não são enfeite. Prometeu leva o fogo dentro de um talo de férula; Perséfone fica presa ao mundo dos mortos por causa de uma semente de romã; Dafne vira loureiro; Atena ganha Atenas com uma oliveira. Em vários episódios, é uma planta que move a história.

Este jardim nasceu dessa constatação. Em vez de organizar os mitos por deuses ou por genealogias, escolhemos lê-los a partir do que cresce: o talo, a semente, a flor, a raiz. É um jeito de devolver às histórias o chão em que foram contadas, um mundo de campos de trigo, olivais, prados e encostas secas.

Como lemos as fontes

Cada história parte dos textos antigos que a contam: Hesíodo, os hinos homéricos, os trágicos, Píndaro, Apolônio de Rodes, Virgílio, Ovídio, Apolodoro, Pausânias. Comparamos as versões e, quando elas discordam, dizemos isso com clareza, em vez de escolher uma em silêncio. Um mito grego raramente tem forma única, e as divergências contam muito sobre quem o recontou.

Também tomamos cuidado com os nomes das plantas. O que um poeta antigo chamava de jacinto ou de narciso nem sempre corresponde à espécie que hoje recebe esse nome. Quando a identificação é incerta, avisamos. E não inventamos ligações botânicas onde as fontes não as oferecem: se uma história não tem planta, não plantamos nenhuma à força.

O herbário como forma

O jardim dá forma a tudo o que publicamos. Cada artigo traz uma ficha, como as etiquetas de um herbário, com a fonte mais antiga, a família do personagem e aquilo pelo que ele é lembrado. As referências antigas aparecem como raízes da história, e o arquivo funciona como um herbário que se folheia canteiro por canteiro.

O catálogo de plantas reúne as espécies que mais aparecem nos mitos, com nome científico e episódio correspondente. É ali que o leitor pode começar pelo outro lado: escolher uma flor e descobrir quantas histórias ela guarda.

As ilustrações

As imagens do site foram criadas especialmente para o Jardim de Deméter, no estilo das pranchas botânicas do século XIX: aquarela delicada, traço fino de nanquim, papel cor de creme. Elas são interpretações nossas dos mitos e das plantas, não reproduções de vasos, esculturas ou pinturas antigas, e não pretendem mostrar como os gregos imaginavam cada cena.

01

Raiz antes da flor

Toda história começa pelas fontes antigas que a contam, citadas com autor e obra.

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Divergências à vista

Quando os autores antigos discordam, mostramos as versões lado a lado.

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Nada de enxerto

Só ligamos um mito a uma planta quando as fontes permitem essa ligação.

04

Nomes com cuidado

Avisamos quando o nome antigo de uma planta não corresponde com certeza à espécie moderna.

As citações de autores antigos são traduções nossas, feitas a partir do grego e do latim e conferidas com edições e traduções publicadas. Números de livro e de verso só aparecem quando temos certeza deles.

Conhece uma planta com mito?

Se você conhece uma flor, árvore ou erva ligada a um mito grego que ainda não está aqui, escreva para nós. Lemos cada mensagem com paciência de jardineiro.

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